Vermes em gatos não são um assunto agradável, mas fazem parte da realidade — inclusive para animais que vivem dentro de casa. Ignorar o tema costuma atrasar o diagnóstico e complicar algo que, na maioria dos casos, é simples de tratar quando identificado cedo.
Como o gato pode se infectar

Mesmo um gato que não sai de casa pode ter contato com parasitas. As formas mais comuns de infecção incluem:
- Pulgas: são o principal vetor do Dipylidium caninum (a “tênia das pulgas”). O gato se infecta ao ingerir pulgas durante a higiene.
- Contato com fezes contaminadas: pode acontecer em ambientes compartilhados ou até através de objetos contaminados.
- Ambiente: ovos de parasitas podem entrar em casa em sapatos, roupas ou objetos.
- Transmissão da mãe para filhotes: pode ocorrer durante a gestação ou pela amamentação, dependendo do parasita.
Ou seja, manter o gato dentro de casa reduz bastante o risco — mas não o elimina.
Tipos mais comuns de vermes
Os principais grupos que afetam gatos são:
- Ascarídeos (lombrigas): maiores, com aparência de “espaguete”. Em infestações mais intensas, podem aparecer nas fezes ou no vômito.
- Ancilostomídeos: microscópicos, vivem no intestino e podem causar anemia.
- Tênias: liberam segmentos visíveis, que parecem grãos de arroz ou sementes de pepino, geralmente próximos ao ânus ou na cama do gato.
Nem sempre é possível ver algo a olho nu. Na maioria das vezes, o diagnóstico depende de exame de fezes.
Um ponto importante: um exame isolado pode não detectar ovos, dependendo do ciclo do parasita. Por isso, quando há suspeita, o veterinário pode solicitar mais de uma coleta.
Sinais de alerta
Nem todo gato com vermes apresenta sintomas claros. Em infestações leves, ele pode parecer normal. Ainda assim, alguns sinais merecem atenção:
- Alterações nas fezes: diarreia, fezes mais escuras ou com muco
- Perda de peso, mesmo com alimentação normal
- Barriga inchada, especialmente em filhotes
- Gengivas pálidas, sugerindo anemia
- Pelagem opaca ou descuidada
- Mudanças no apetite (para mais ou para menos)
- Letargia ou redução de atividade
E sim — observar a região anal faz parte do cuidado. Segmentos de tênia podem aparecer ali ou na cama do animal. Não é agradável, mas é uma informação útil.
Diagnóstico
O diagnóstico correto depende de exame de fezes. Isso permite identificar o tipo de parasita e escolher o tratamento adequado.
Tratar “no escuro” até pode funcionar em alguns casos, mas não é o ideal — especialmente quando há sintomas mais evidentes.
Tratamento
O tratamento envolve o uso de vermífugos específicos, escolhidos de acordo com o parasita identificado. Em muitos casos, o veterinário também orienta:
- controle rigoroso de pulgas
- repetição do tratamento após um intervalo
- reavaliação com novo exame
Seguir o protocolo completo faz diferença. Interromper antes do tempo pode não eliminar o problema.
E os “remédios caseiros”?
Sementes, ervas ou qualquer outro método caseiro aparecem com frequência em recomendações informais. O problema é que não há evidência consistente de eficácia, e alguns podem piorar o quadro — principalmente em gatos com diarreia ou debilitados.
Na prática, confiar apenas nisso pode atrasar o tratamento correto.
Prevenção
Algumas medidas simples ajudam a reduzir bastante o risco:
- controle regular de pulgas (com antipulga
)
- vermifugação conforme orientação veterinária
- higiene da caixa de areia
- atenção a mudanças no comportamento e nas fezes
Pode até parecer paranoia, mas na verdade esses cuidados devem ser rotina na vida de quem tem gato. Pequenos sinais costumam aparecer antes de problemas maiores — desde que alguém esteja olhando.
